ATIVIDADE
1 DE HISTÓRIA – 9º ANO B e C – PROF. JOSÉ AUGUSTO – 07/05 a 12/05/2021
2º
BIMESTRE
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM:
PROCESSOS DE URBANIZAÇÃO E MODERNIZAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA.
HABILIDADE:
(EF09HI01) Descrever e contextualizar os principais aspectos sociais,
culturais, econômicos e políticos da emergência da República no Brasil;
(EF09HI05) Identificar os processos de urbanização e modernização da sociedade
brasileira e avaliar suas contradições e impactos na região em que vive.
OBJETIVO:
Identificar os processos de urbanização e modernização da sociedade brasileira,
revelando suas contradições no início do período republicano.
ROTEIRO DE ESTUDO:
1º
PASSO: Ler novamente os textos a seguir: (não precisa copiar o texto no
caderno)
TEXTO
COMPLEMENTAR (APOIO) - 1 – INTRODUÇÃO
O período da História
brasileira conhecido como República Velha, compreendido entre os anos de 1889 e
1930, representou profundas mudanças na sociedade nacional, principalmente na
composição da população, no cenário urbano, nos conflitos sociais e na produção
cultural. Cabe aqui fazer uma indagação: com mudanças tão profundas, o que
permaneceu delas na vida social atual?
Uma mudança da sociedade da
República Velha ocorreu na economia. A produção agrícola ainda era o
carro-chefe econômico da República Velha e o café continuava a ser o principal
produto de exportação brasileiro. Mas o desenvolvimento do capitalismo e a
criação de mercadorias que utilizavam em sua fabricação a borracha (como o
automóvel) fizeram com que a exploração do látex na região amazônica se
desenvolvesse rapidamente, chegando a competir com o café como o principal
produto de exportação. Porém, o período de auge da borracha foi curto, pois os
ingleses conseguiram produzir de forma mais eficiente à borracha na Ásia,
desbancando a produção brasileira.
Outro aspecto econômico da
República Velha foi o início da industrialização no Brasil, principalmente no
Rio de Janeiro e em São Paulo. O capital acumulado com a produção cafeeira
possibilitou aos grandes fazendeiros investir na indústria, dando novo
dinamismo à sociedade nestes locais. São Paulo e Rio de Janeiro passaram por
uma profunda urbanização, criando avenidas, iluminação pública, transporte coletivo
(bondes), teatros, cinemas e, principalmente, afastando as populações pobres
dos centros das cidades. Mas não foi apenas nestas duas cidades que houve
mudanças, já que a mesma situação se verificou em Manaus, Belém e cidades do
interior paulista, como Ribeirão Preto e Campinas.
Esse processo contou também
com a vinda ao Brasil de milhões de imigrantes europeus e asiáticos para
trabalharem tanto nas indústrias quanto nas grandes fazendas. O fluxo
migratório na República Velha alterou substancialmente a composição da
sociedade, intensificando a miscigenação, fato que, aos olhos das elites do
país, poderia levar a um embranquecimento da população, aprofundando o
preconceito contra os negros de origem africana.
Mas a modernização na
República Velha apresentou também contradições sociais que resultaram em
conflitos de várias ordens. Nas cidades surgiram os movimentos operários,
impulsionados pelos imigrantes europeus e suas posições políticas ligadas
principalmente ao anarquismo. Foi nesta época que surgiram uma infinidade de
movimentos grevistas por melhorias nas condições de salário e trabalho, sendo o
mais conhecido a Greve Geral de 1917, em São Paulo. Em 1922, foi fundado o
Partido Comunista Brasileiro, consequência da Revolução Russa. Além disso, os
homens alfabetizados e maiores de 21 anos passaram a poder votar nas eleições.
As condições de vida dos trabalhadores no interior das fábricas brasileiras
eram muito difíceis. As jornadas de trabalho se estendiam por até 16 horas e os
salários eram baixos. Não havia regulamentação das condições de higiene e de
segurança nos ambientes de trabalho, o que tornava comuns os acidentes e as
doenças.
Na vastidão do interior rural
do Brasil, surgiram movimentos messiânicos, como o Contestado, no Sul, e
Canudos, na Bahia, além do aparecimento do Cangaço, celebrizado pela figura de
Lampião. O controle político do interior do país na República Velha ficava nas
mãos dos coronéis, sendo o voto de cabresto a principal característica do
coronelismo. A Coluna Prestes que percorreu milhares de quilômetros tentando
buscar apoio popular a uma revolução social foi também um fenômeno da República
Velha.
No aspecto cultural da
sociedade, surgiu o choro e o samba, gêneros musicais que ainda fazem parte da
cultura popular nacional. Na elite, a influência europeia, principalmente
francesa, mudou o comportamento das pessoas ricas, em seu jeito de vestir,
falar e se portar em público, o que ficou conhecido como a Belle Époque (Bela
Época) no Brasil. Surgiu também na República Velha a Semana de Arte Moderna de
1922, animada por vários artistas como Villa-Lobos e Mário de Andrade, e que
pretendia fazer uma antropofagia cultural, misturando elementos das culturas
europeia e brasileira na produção artística.
TEXTO
COMPLEMENTAR (APOIO) - 2 – INTRODUÇÃO
O período da história
republicana do Brasil, envolto na República Oligárquica, foi marcado por
tentativas de reurbanização modernizadora de algumas cidades. O caso mais
notório foi à reurbanização do Rio de Janeiro, ocorrida na última década do
século XIX e nas primeiras do século XX.
Entretanto, se a
modernização significava o embelezamento da cidade, na prática ela proporcionou
a expulsão de boa parte da população pobre e trabalhadora da região central da
capital do Brasil.
A reurbanização do Rio de
Janeiro se inseria em uma política de transformação da capital federal, com
vistas à erradicação de várias epidemias e de embelezamento urbano afrancesado,
criando assim um melhor cartão de visitas aos visitantes estrangeiros
interessados em investimentos no Brasil. A principal ação nesse sentido se deu
no governo do presidente Rodrigues Alves (1902-1906), cuja proposta de reforma
da capital envolvia três frentes de trabalho: a modernização do porto, a
reforma urbana e o saneamento básico.
Nas ações de saneamento
básico, fazia-se necessário na cidade erradicar diversas epidemias decorrentes
da má qualidade sanitária na cidade, principalmente na região central.
Habitada por aproximadamente
um milhão de pessoas no início do século XX, a capital federal era alvo
constante de surtos de febre amarela, peste bubônica, malária e varíola. A
solução proposta, além das vacinações obrigatórias e da fiscalização
compulsória das residências, era a demolição das habitações coletivas
existentes na cidade, como cortiços, estalagens e casas de cômodos.
O argumento era que, em face
das condições insalubres, as habitações coletivas eram propícias à propagação
de doenças. O cortiço Cabeça de Porco chegou a ter 2000 habitantes. A isso
somava a visão conservadora e moralizadora sobre a vida desses estratos da
população.
Everardo Beckheuser, na obra
Habitações populares, de 1906, definia da seguinte forma essa situação: “E
assim reunida, aglomerada, essa gente, trabalhadores, lavadeiras, costureiras
de baixa freguesia, mulheres de vida reles, entopem ‘as casas de cômodos’,
velhos casarões de muitos andares, divididos e subdivididos por um sem número
de tapumes de madeira, até nos vãos de telhados, entre a cobertura carcomida e
o ferro carunchoso. Às vezes, nem as divisões de madeira; nada mais que sacos
de aniagem estendidos verticalmente em septo, permitindo quase a vida em comum,
em uma promiscuidade de horrorizar”.
Essa ação ia ao encontro dos
objetivos da classe dominante da cidade, desejosa de expulsar da área central a
população pobre e explorada da capital, considerada um elemento perigoso para a
ordem e disciplina urbana almejada. A maior parte dessa população era formada
por ex-escravos africanos e imigrantes, principalmente portugueses.
As demolições dos casarões
foram realizadas sem o consentimento dos habitantes e sem o pagamento de
indenizações, obrigando os moradores a encontrarem novos locais para a
construção de suas habitações. Isso ocorreu principalmente nos morros arredor
da região central, onde foram construídos barracões de madeiras, que deram
origem às favelas cariocas.
Sobre os escombros dos
casarões derrubados, grandes avenidas foram construídas, em uma tentativa de
assemelhar a cidade do Rio de Janeiro à capital francesa, Paris. Na década de
1870, Paris passou por uma reformulação urbana com a criação de grandes
bulevares, praças e jardins, sob a liderança do barão Haussmann, então prefeito
da cidade.
No Rio de Janeiro tal
iniciativa coube ao engenheiro Pereira Passos, prefeito do Rio de Janeiro entre
1902 e 1906. Com plenos poderes dados pelo presidente Rodrigues Alves, Passos
promoveu uma profunda reformulação urbana, cujos principais exemplos foram a
construção da Avenida Central, a reforma do porto e a iluminação pública.
Construíram-se luxuosos palacetes, praças e jardins no lugar de 600
edificações.
O processo de reurbanização
do Rio de Janeiro exemplifica o aspecto autoritário e excludente das políticas
estatais verificadas durante a República Oligárquica, expulsando da área de
expansão da modernidade capitalista os grupos sociais considerados perigosos à
ordem. Porém, esses grupos não aceitariam passivamente a situação, e a Revolta
da Vacina de 1904 deu mostras da resistência da população explorada do Rio de
Janeiro a essa situação.
2º
PASSO: Resolução das questões a seguir:
(1) Utilizando os textos complementares como apoio, analise o
texto a seguir com atenção para responder às questões propostas.
“[...] a deficiência de
ventilação e iluminação, a falta de aspiradores de pó, a ausência de
vestiários, principalmente para as operárias -, notados em alguns
estabelecimentos, seriam facilmente corrigidos desde que houvesse, por parte
dos industriais, um pouco de boa vontade. [...]
Funciona esta fábrica em
um vasto edifício de dois pavimentos, hoje insuficiente para o número de
máquinas assentadas e para a quantidade de operários em serviço. Com esse
acúmulo de máquinas e trabalhadores e com a falta de separação das diferentes
seções, não são raros os desastres [...].
As paredes, soalhos e
forros parecem não ter sido renovados depois da construção dos edifícios, tal o
estado em que se acham atualmente. [...] Os operários, ao entrarem para o
serviço, por falta de lugar apropriado, são obrigados a mudar as suas vestes no
próprio lugar em que trabalham em comum.
Condições do trabalho
na indústria têxtil no estado de São Paulo, Boletim do Departamento Estadual do
Trabalho, p. 35-77. Trecho extraído de: DECCA, Maria Auxiliadora Guzzo de.
Indústria, trabalho e cotidiano: Brasil, 1889-1930. São Paulo: Atual, 1991. P.
32-33. (História em documentos).
QUESTÕES:
A) Qual é o assunto
principal do texto? Quem produziu o boletim?
B) Quais eram os principais
problemas encontrados nos ambientes das fábricas? O que eles ocasionavam aos
operários?
C) Podemos relacionar o
texto da questão com o movimento operário no Brasil durante a Primeira
República? Justifique.
D) Em sua opinião, as
condições de trabalho descritas no texto deixaram de existir no Brasil atual?
Copiar
e responder as questões no caderno e enviar para o email abaixo:
josefonseca@prof.educacao.sp.gov.br
DATA PARA ENTREGA:
12/05/2021
BONS ESTUDOS!
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